Eu deveria me orgulhar do que eu fiz com IA? 15/10/2026 Eu estava todo orgulho quando refiz o ERP da empresa da minha esposa (as primeiras versões foi eu que fiz também), até que em um momento eu me peguei me sabotando e pensando assim: > Por qual motivo eu estou orgulhoso, se o máximo que eu fiz foi pensar o que eu queria e quem fez maior parte das coisas foi a IA? O que é isso? Sindrome do Impostor++? Ou um nome mais chique como "síndrome do impostor assistido por IA"? Eu comecei a programar alguns meses antes do ChatGPT existir, então eu comecei com programador tendo a função de fazer código, mas eu tenho dúvida: Eu deixei de ser pedreiro e virei escravo da IA, ou um orquestrador? Isso depende de eu ser mais uma pessoa mais otimista ou pessimista? Neste blogpost eu tenho apenas dúvidas. ## O orgulho sempre existiu. No passado os programadores falavam que só quem é programador de verdade é quem programa em Assembly, enquanto o pessoal estava sendo feliz com C. Começaram a aparecer bibliotecas, os programadores começaram a falar que só é dev de verdade quem usa C puro. A mesma história se repetiu quando chegaram as linguagens de altíssimo nível, os frameworks modernos e os ecossistemas que abstraíam quase tudo. Sempre teve alguém apontando o dedo e dizendo que *assim fica fácil demais*. A IA seria mais 1 camada de abstração? Toda vez que a tecnologia sobe um degrau, a gente confunde o apego ao processo antigo com "rigor técnico". A ferramenta muda, a barra sobe e a gente continua com o mesmo medo de perder a relevância. *Estamos sendo puristas e orgulhosos mais uma vez?*? ## Onde está o valor? Como prometido, estou aqui para trazer mais dúvidas: *o valor está apenas em entregar?* Se o foco é só entregar, mas agora qualquer um consegue entregar, a nossa profissão passa a gerar mais ou menos valor? Tanto no dinheiro que vai para o nosso bolso quanto no valor percebido de um software? O código em si, atualmente, é como ferro puro que precisa ser moldado. O nosso papel passa a ser garantir que essa transformação foi feita da forma correta e que a estrutura vai aguentar o peso do mundo real. Na teoria, qualquer um com IA pode gerar código. Na prática, sem repertório, a pessoa não sabe se a solução é segura ou um castelo de cartas prestes a ruir em produção. ## Viramos Alexandre de Moraes? Se todo mundo tem acesso à mesma ferramenta, quem faz o melhor software é quem julga melhor? Mas o julgamento tem alguma régua objetiva, ou a gente cai direto nos primórdios da filosofia? Se a gente recorrer a Friedrich Nietzsche e ao seu perspectivismo, o filósofo já cravava que não existem fatos, apenas interpretações. A ideia de uma verdade única ou de um software perfeito universal cai por terra. O que existem são apenas perspectivas moldadas pelas nossas vivências, dores e bagagens (falei chique agora tá kkkkk). O que é um código elegante ou um sistema bom para mim pode ser uma aberração para outro dev e ambos podem estar certos dentro dos seus contextos. Quando a IA iguala a capacidade de digitação técnica, a única coisa que sobra para diferenciar um software de outro é a perspectiva de quem o projetou. ## E no fim eu deveria me orgulhar? Acho que sim, eu fiz algo que resolve o problema de alguém. E você, também já se pegou questionando o seu valor depois de resolver um problema em minutos com IA?